Quinta-feira, Março 15, 2007

Pré-Eleições dos EUA.

O povo brasileiro aparenta estar preocupado com a visita do presidente dos EUA ao Brasil, quando na verdade deveria olhar a eleição interna dos dois principais partidos políticos dos yankees. Os jornais brasileiros se limitam a informar sobre os candidatos mais populares na opinião pública e deixa o povo sem perceber quais são os pontos mais importantes do debate político nos estados unidos. Desta forma fica impossível para os brasileiros conhecerem a realidade desse país, assim como opinar sobre a agenda política dele.
No Partido Democrata temos alguns candidatos bem interessantes como o senador John Edwards de Iowa que foca sua campanha nas questões da saúde pública. De acordo com seu discurso os EUA gastam USD 2.000.000.000.000,00 em saúde pública por ano, o que é mais do que qualquer outro país industrializado no mundo, no entanto existem 47.000.000 de norte americanos que não possuem este benefício, além dos serviços de saúde privados estarem fora do alcance de boa parte da população como no caso dos fazendeiros. Juntamente com o discurso J. Edwards mantém um Centro sobre Pobreza, Trabalho e Oportunidade.
Outro candidato democrata é o congressista Dennis Kucinich de Cleveland considerado o mais progressista dentro do partido. Um dos seus pontos centrais da campanha vem do fato dele não aceitar doações de empresas e lobistas, também é defensor da saúde pública para todos. Antes mesmo do inicio de sua campanha ele já falava claramente sobre o fim da guerra no Iraque e um redirecionamento da política americana para a paz. Pelo discurso ele demonstra ser o candidato de maior oposição à situação atual do governo dos EUA.
A mais famosa candidata entre os democratas é a Hillary Clinton que já foi primeira dama dos EUA. Praticamente é a concorrente democrata com o maior espaço na mídia internacional, principalmente pelo fato de seu marido ter se envolvido com uma estagiária enquanto era presidente. O discurso dela é muito parecido com a do marido envolvendo mudanças na política no Iraque, mas com apoio as tropas, questões sobre energia, igualdade de pagamentos para mulheres e minorias étnicas e a saúde pública (tópico principal desta eleição). O destaque maior de sua campanha está na possibilidade de pela primeira vez uma mulher se tornar presidente dos EUA, visto a sua popularidade entre os eleitores.
O segundo candidato mais famoso dos democratas é o senador Barack Obama de Illinois que ganhou destaque por ser negro e maometano. Entre os democratas ele é o maior rival da Hillary na corrida pela vaga de presidenciável, todavia há quem acredite que em caso de vitória a ex-primeira dama será sua vice-presidente; contudo ninguém comenta se ele poderia ser vice dela. Seu discurso segue o padrão do Partido Democrata incluindo uma política de saída do Iraque. Apesar de todo o seu perfil de minoria étnica (negro, havaiano, filho de imigrante e muçulmano) seu destaque na comunidade norte americana é fantástico de modo que ele foi o primeiro afro-americano a presidir a “Harvard Law Review”.
O senador Joe Biden de Delaware é um democrata que discursa por mudanças necessárias nos EUA. Entre elas a retirada das tropas no Iraque, contudo seu objetivo é enviá-las para outros pontos de conflito no planeta. Além da questão do Iraque sua campanha abre o debate sobre o poder do congresso durante o tempo de guerra. Várias são suas críticas ao governo atual, todavia compartilha da visão do atual presidente sobre o uso da força na política internacional.
O governador democrata Bill Richardson do Novo México é considerado pela mídia como um sujeito simples, mas com um currículo fantástico. Antes de ele ser governador trabalhou como secretário de energia do Bill Clinton e foi diplomata na ONU, onde lutou pelos prisioneiros políticos do Iraque, Cuba e Coréia do Norte e contra a proliferação de armas nucleares nestes paises, já chegou a negociar cessar fogo com grupos do Sudão; sendo indicado quatro vezes ao Prêmio Nobel da Paz. Apesar de todo seu discurso e vida ligados às questões de negociação de conflitos, sua campanha na verdade apresenta um governo centrado no esforço para o desenvolvimento da educação, redução tributária, crescimento econômico, ampliação da saúde pública e investimentos em energia renovável. Embora assuntos como os imigrantes e a guerra no Iraque não fiquem de fora dos seus planos.
Entre os republicanos temos o governador Mitt Romney de Boston conhecido por seu desempenho no mundo dos negócios. Como todo homem do mercado, Romney faz sua campanha contra a alta tributação nos EUA e os gastos excessivos do governo. Seu discurso neoliberal é fundamentado em um dos seus livros favoritos; “The World is Flat” escrito pelo famoso teórico neoliberal Thomas Friedman. Ele é um dos poucos candidatos, se não o único, que tem um discurso sobre a América Latina, contudo isto se limita a questões econômicas como a imigração ilegal e criticas ao socialismo cubano e venezuelano.
Rudy Giuliani é um candidato republicano, ex-prefeito de Nova Iorque e homem de negócios, que apresenta um discurso mais informal frente aos eleitores, provavelmente buscando a solidariedade do cidadão norte americano comum. Ficou famoso seu discurso sobre a situação no Iraque em que ele crítica diretamente o estilo de trabalho dos políticos dos EUA. Segundo Rudy não interessa pontos a favor ou contra a questão do Iraque, pois numa democracia sempre haverá posições contra e a favor de qualquer coisa, logo o importante é tomar uma decisão rápida. Ele se diz surpreendido pelo fato dos políticos norte americanos demorarem tanto para tomar uma decisão, já que no mundo dos negócios dos EUA um grupo que leve mais de duas semanas para decidir algo é considerado improdutivo. Para ele políticos são pagos para tomar decisões e não para fazerem comentários como jornalistas. Como podemos observar o foco de sua campanha é sobre a forma de governar fazendo com que ele se diferencie bem dos outros candidatos.
O senador John McCain é um dos candidatos republicanos mais reacionários, com seu perfil militar discursa sobre pontos como fé, coragem e honra. Ele é praticamente o único candidato que ao invés de utilizar as cores nacionais dos EUA usa cores típicas de navios e aviões de guerra. Não bastando sua propaganda na televisão inclui uma música militarizada ao fundo num discurso parecido com o do general Patton enquanto apresentam fotos suas nas forças armadas. Sendo fã do ex-presidente Ronald Reagan tem como slogan “A nation of Courage” e gosta de terminar seus discursos dizendo que: “somos americanos e nunca iremos desistir”.
O último a entrar na corrida eleitoral foi congressista republicano Ron Paul do Texas que possui um discurso de oposição interna no Partido Republicano. Ele votou contra a guerra no Iraque e o Ato patriótico e deixa claro que é a favor de uma rápida saída dos EUA deste conflito. Suas propostas seguem suas práticas como legislador, de modo que acredita que todas as decisões do governo devem respeitar a Constituição Federal e nunca se deve fazer abusos ou desvios no orçamento da união. Famoso por nunca ter votado a favor do aumento de tributos, ele também é contra e regulação da internet e a restrição do porte de armas. Soma se a isto tudo o fato de que ele se nega a participar do lucrativo programa de pensão do congresso e todo ano devolve ao tesouro da união parte do dinheiro que foi enviado ao seu gabinete, mas que não foi utilizado.

1 Comments:

  • Esse comentário que vocês puseram para o John McCain é uma patacoada. O que tem a ver a cor que ele usa?

    "Oh como ele é militarizado!"
    Logo embaixo vocês põem uma foto do Fidel com Hugo Chavez ambos vestidos de verde oliva e não falam nada contra eles serem "militarizados".

    É cacoete isso aí? Não se pode falar de militar que é ruim, exceto, é claro, quando se trata de ssas duas figurinhas típicas na América Latina.

    By Anonymous Anônimo, at 11:17 PM  

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