Domingo, Outubro 15, 2006

Eleições 2006: os dois Brasis e a eleição para presidente


No Segundo Caderno do jornal O Globo de hoje o Sociólogo Demétrio Magnoli comentou sobre a idéia de dois Brasis no mapa eleitoral atual. Esta divisão envolve um Brasil rico e um outro pobre e, segundo ele, é utilizada de maneira grosseira e interessada. Tudo isto estaria baseado no discurso do Lula que ao invés de agora discursar para os trabalhadores fala com os pobres, além de aplicar uma política que resolve os problemas dos pobres e não o da pobreza. O interessante nisto tudo é que a revista Veja da semana passada tratou do mesmo assunto, numa matéria feita por Marcelo Carneiro e Camila Pereira. Para eles o território brasileiro hoje pode ser dividido em duas regiões comparando os lugares em que Lula foi vencedor com aqueles em que Alckmin saiu vitorioso; a especificidade destas duas regiões ocorre em face da diferença de recursos que cada Estado recebe do governo federal, o nível de renda dos habitantes e o grau de acesso que eles têm à informação.

Conforme a pesquisa feita pelo Datafolha (margem de erro de 2% e nível de confiança de 95%), no dia 10 de outubro, esta divisão nacional continua, contudo Lula anda tomando vantagem na corrida eleitoral. A região sul, por exemplo, é o lugar em que o peessedebista obtém maior vantagem sobre o petista, mas mesmo assim a diferença entre eles no segundo turno recuou de 24 para 16 pontos percentuais. No sudeste os candidatos estão empatados com 45% das intenções de voto. Nas regiões norte e centro-oeste o candidato do PT segurou seus 50% de eleitores, todavia o candidato do PSDB recuou de 44% para 41%. No nordeste Lula abriu vantagem passando de 39% de apoio do eleitorado para 47%.

A divisão de interesses políticos no Brasil parece estar bem clara e equilibrada nesta eleição o que é de certa forma bom para o Estado Democrático, visto que a homogeneidade de opinião num país costuma representar sérios problemas estruturais. Normalmente quando todos estão concordando com tudo é porque ninguém está realmente pensando sobre o assunto. Soma se o fato de que várias Teorias Políticas consideram importante a existência de ao menos dois grupos políticos que disputem o poder de forma a oxigenar a administração da sociedade. Além disto os candidatos se posicionaram de maneira a proteger os interesses que já estavam geograficamente divididos em nosso país; de um lado o Norte mais pobre e influenciado pelo Rio de Janeiro e do outro o Sul mais rico e guiado por São Paulo, ambos com diferentes idéias de como gerir as políticas públicas.

Logo neste segundo turno os eleitores poderão escolher entre o modelo administrativo que representa os interesses do Norte ou o do Sul. Isto pode representar quais Estados se beneficiarão mais com a vitória de cada candidato.