Terça-feira, Junho 03, 2008

A evolução do teatro

Crítica: "-Nu de mim mesmo"

Por Eduardo Lapagesse (eduardo.lapagesse@gmail.com)

A Cia Teatro Autônomo, marcada pela inovação e o frescor na cena teatral, inaugura seu mais recente trabalho, “-Nu de mim mesmo”, produto de dezenove anos de pesquisa e experimentações. Apostando na inclusão do espectador e de novos elementos, a peça trata da trajetória humana e seus muitos descaminhos.

O fio condutor do espetáculo é a busca do físico Arthur (Adriano Garib) por um melhor diálogo com seu filho (Fabio Dultra), cuja namorada (Julia Lund) indiretamente apóia esta reaproximação. Arthur é ocasionalmente visitado por uma mulher (Miwa Yanagizawa) e por um amigo (Otto Jr), com o qual divide o fascínio pela observação anônima de desconhecidos, misto de flânerie e dandismo.

Perpassando os desdobramentos do protagonista, são apresentadas outras narrativas, igualmente fragmentadas, que se completam e se complementam ao longo de décadas de histórias. Os pontos de encontro residem, entre tantos outros, na busca pela heroicidade perdida na infância, a incomunicabilidade – seja entre pai e filho, ou com um ente falecido -, o propósito de uma vida e sua respectiva memória.

Como explicitado na minha crítica da montagem anterior da companhia (disponível em http://paginas.terra.com.br/noticias/fachada/reportagens/maisartes/index.htm), a sequência de experimentações, vista em espetáculos passados como “Deve haver algum sentido em mim que basta” e “Uma coisa que não tem nome (e que se perdeu)” indicava uma evolução rumo ao que se tem agora: uma síntese cada vez maior com o público, como se personagens e espectadores (re)descobrissem e experimentassem juntos o que é proposto.

Personagens e espectadores até mesmo dialogam, num exercício arriscado, que encerra por enriquecer e aproximar a narrativa, além de coroar ainda mais a competência dos atores. Mais um ponto para o duo Jefferson Miranda (direção e roteiro) e Flavio Graff (dramaturgia), que também dividem a direção de arte e os figurinos, estes sempre pertinentes e alusivos.

O tom de reconstrução é notório até mesmo no cenário, que é montado paulatinamente, como a desvelar e sugerir significações, ressignificações. Sem estragar potenciais surpresas, a sinestesia, marca de produções recentes, é um pouco preterida em prol de novos elementos, como a dança e o canto, conferindo um tom menos sinestésico e mais multimídia. Estes se encaixam com perfeição, conferindo suavidade e renovação, passando longe de um musical, o que, para este tipo de peça, é um êxito. Desta forma, as pouco mais de três horas jamais cansam, o conteúdo não se dilui e, ao contrário, é melhor degustado.

A iluminação, a cargo de Renato Machado, é competente em não sobrepujar e, em vez disso, valorizar a riqueza de detalhes do cenário e das expressões faciais dos atores. A música de Felipe Storino oscila entre o drama e a comicidade sem nunca destoar do que é proposto no momento, o que é digno de nota. Por fim, os vídeos, assinados por Fernanda Ramos e Phillipe Canedo, compõem o cenário tanto quanto comunicam, flertando ricamente com a sétima arte.

Clichês à parte, o roteiro é um verdadeiro presente, pois, para um ator que tenha o que mostrar, é quase um portfólio, tamanha é a requisição de suas habilidades cênicas. Como era de se esperar, os destaques ficam com Miwa Yanagizawa e Adriano Garib, mestres no improviso e na composição dos personagens. Otto Jr, desta vez mais coadjuvante, nem por isso é menos brilhante e generoso em suas interações.

Julia Lund, ao contrário de sua última incursão na companhia, em “E agora nada mais é uma coisa só”, tem a oportunidade de mostrar sua versatilidade e dá mostras claras de evolução. Fechando o elenco, o estreante na companhia Fabio Dultra, menos beneficiado pelo roteiro, não compromete e levanta interesse em atuações futuras, ao conferir uma comicidade tácita aos seus personagens.

“-Nu de mim mesmo” representa o ápice das experimentações da companhia: faz pensar, sentir, interagir, provoca e encerra arrebatadoramente otimista. É um projeto audacioso, sem precedentes e obrigatório, um marco não só para a Cia. Teatro Autônomo, como para o teatro. Ao assumir maiores riscos, a companhia multiplica seus êxitos, com resultados igualmente maiores.

“-Nu de mim mesmo”. Direção e roteiro de Jefferson Miranda. Com Adriano Garib, Fabio Dultra, Julia Lund, Miwa Yanagizawa e Otto Jr. Teatro Municipal do Jockey (R. Mario Ribeiro, 410. Tel: 2540-9853). Qui. e sex., às 20:30 h, sáb. e dom., 21 h. Ingressos: R$ 10. Até 21/06. www.ciateatroautonomo.com.br

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Sábado, Abril 14, 2007

A Política do Etanol.

Já faz algum tempo que o Brasil revive a idéia do pró-álcool, mas é atual o interesse dos EUA em combustível renovável (ou “green fuel” como eles dizem), apesar de algumas experiências anteriores, mas pouco significativas com que os estados unidenses chamam de “light gas”; uma mistura que reduzia os custos. Contudo é interessante ver a grande mudança no cenário internacional de combustíveis, afinal o que ocorre é a vitória da política socialista energética cubana face à política de energia dos EUA, uma vez que as idéias do presidente Fidel Castro de produzir combustível a partir da cana de açúcar e do milho derrotou o modelo yankee de energia nuclear e petrolífera; ao menos no campo da política atual. Como os EUA não possuem boas relações com Cuba, eles foram obrigados a mandar seu presidente ao Brasil para ver nossa política sobre o uso do álcool. Foi se o tempo em que os Estados Unidos dizia que o presidente Fidel Castro tinha uma idéia sinistra de transformar comida em combustível.
O Etanol não é tão comum na Europa, todavia é um combustível complementar nos EUA representando 3,5% do consumo e agora sua produção está crescendo 25% ao ano, principalmente no meio leste onde novas refinarias surgem o tempo todo. Tudo isto pelo fato que os EUA dão subsídio a produção interna e penalizam a importação.
O governo norte americano percebeu que o etanol é a única política de energia alternativa com grande suporte político. Os fazendeiros dos EUA adoram esta idéia porque isto produz uma nova fonte de subsidio. Alguns políticos acham que esta será a saída para a dependência de combustível que levou os EUA a invadir o Iraque, além de o subsídio ser uma boa maneira de agradar alguns grupos de eleitores. A indústria automotiva apóia tudo, pois a mudança de combustível nos carros pode fazer com que elas deixem de ser consideradas como um problema de poluição em face do aquecimento global. As empresas químicas adoram a idéia de uma nova fatia do mercado. Com a implementação desta política energética nos EUA só quem perderá é o contribuinte visto que tudo deve ser subsidiado.

Segunda-feira, Abril 09, 2007

A Guerra de Mercado dos Videogames.

A guerra no mercado de videogames não para e a situação entre os combatentes não se estabiliza, de maneira que as principais empresas envolvidas se dizem todas vitoriosas. A Sony, Microsoft e Nintendo atualmente enfrentam uma forte luta pelo domínio do mercado de videogames na quais as indústrias envolvidas valem 30 bilhões de dólares americanos, conforme a revista “The Economist”.
A batalha começou no inicio de 2000 quando a Sony com seu Playstation 2 (PS2) tomou 70% do mercado mundial face à Microsoft com o Xbox e a Nitendo com o GameCube, que foram forçadas a compartilha os 30% dos consumidores restantes. Já em 2005 a luta começou a ser reconfigurada tendo a Microsoft lançado o Xbox 360. No ano passado a Nintendo apareceu com um novo console o Wii e a Sony estreou a Playstation 3 (PS3). Estas três maquinas podem ser encontradas em qualquer parte dos maiores mercados mundiais e começam a indicar certas mudanças na disputa pelo mercado.
A Microsoft vendeu cerca de 10 milhões de Xbox 360 desde novembro de 2005, sendo popular na Europa e nos EUA, todavia sua venda vai mal no Japão. Seu maior destaque é o serviço online para downloads e jogos multiplayers. A Nintendo com o Wii tem ganhado bastante espaço entre os consumidores, uma vez que suas vendas iniciadas em novembro de 2006 já alcançaram os 6 milhões de unidades. Isto provavelmente decorre do seu baixo preço em função dos consoles concorrentes e sua fácil jogabilidade que busca atrair as pessoas fora do mercado de videogames. Contudo os jogadores reclamam da baixa qualidade dos seus gráficos e do serviço online. O PS3 da Sony somente vendeu 2 milhões desde novembro, uma vez que é o console mais caro do mercado e foi deficiente na distribuição. Provavelmente vários consumidores estão esperando seu preço cair. A Sony garante que assim que aumentar a distribuição o consumo crescerá e que o lançamento de novos jogos estimulará o mercado.

Como podemos observar a Microsoft está se estabilizando no mercado e a Nintendo vai melhor do que o esperado, enquanto a Sony apresenta uma queda. Há quem diga que o domínio do PS2 no mercado mundial foi um caso isolado. Uma pesquisa de mercado indicou que o Wii será considerado o melhor videogame em 2008 e a Merrill Lynch acredita que 30% dos lares dos EUA em 2011 terão um Wii.

Segunda-feira, Abril 02, 2007

Cidadãos dos EUA desaprovam presidente.




Cinco novas pesquisas de opinião sobre a aprovação do presidente Bush pelos cidadãos dos EUA foram apresentadas nesta última semana. De acordo com a pesquisa da FOX realizada em 27 e 28 de março 33% aprovam o governo do presidente Bush e 61% desaprovam. Na pesquisa do Time feita entre 23 e 26 de março a aprovação é de 33% e a desaprovação de 60%. Para a Gallup/USAToday que pesquisou entre 23 e 25 de março a aprovação é de 34% e a desaprovação de 62%. Para Pew que fez sua pesquisa entre 21 e 25 de março a aprovação é de 33% e 58% de desaprovação. Já para a Democracy Corps a aprovação está em 37% e a desaprovação em 58% da sociedade norte americana.

Terça-feira, Março 27, 2007

Eleição Presidencial Francesa.

De acordo com uma pesquisa realizada por telefone pelo IFOP no dia 16 de março, que foi publicada pelo "Journal de Dimanche" no dia 25 de março, o conservador Nicolas Sarkozy ganharia com 51,5% dos votos num segundo turno contra a socialista Ségolène Royal que teria 48,5% do eleitorado. Uma disputa bem acirrada com chances de surpresa no final. Já o primeiro turno na mesma pesquisa eleitoral apresenta Nicolas Sarkozy com 26%, Ségolène Royal com 24%, o centrista François Bayrou com 22,5% e o ultradireitista Jean-Marie Le Pen com 14 % dos votos.


Em outras pesquisas os dois candidatos mais fortes aparecem empatados no primeiro turno, como no caso da enquête feita pela LH2 que atribuiu a ambos 27% das intenções de voto para a eleição de 22 de abril, enquanto François Bayrou teria 20% e Jean-Marie Le Pen 12%. Contudo no segundo turno, dia 6 de maio, Nicolas Sarkozy da coalizão União por um Movimento Popular ganharia com 51% dos votos.

Nicolas Sarkozy se apresenta como o herdeiro de Chirac e diz que sua campanha está focada no valor do trabalho e na identidade nacional, também garante que não mentirá ou trairá seus eleitores.

Ségolène Royal defende uma política cultural com a reintrodução de História da Arte nas escolas francesas, negociação sobre os direitos autorais na internet, combate a exclusão digital, auxilio tributário as livrarias independentes e reabertura do mercado de arte contemporânea.

Quinta-feira, Março 22, 2007

A Eleição mais cara dos EUA.


Michael Toner (diretor representante da Comissão Federal de Eleição dos EUA) anunciou em janeiro de 2007 que a eleição para presidente em 2008 será a mais cara de toda a história dos Estados Unidos. Sua estimativa é que na disputa de 2008 estará envolvida uma quantia de um bilhão de dólares americanos. Além disto, um candidato para ser considerado significativo deverá ter levantado ao menos 100 milhões de dólares até o fim de 2007.


As declarações sobre o custo da campanha eleitoral nos EUA demonstram que o valor envolvido tem crescido fortemente nos últimos anos. O New York Daily News indicou que tanto o custo da campanha do Partido Democrata quanto à do Republicano - considerando as eleições primárias nos partidos, a eleição e os comícios políticos - mais que dobraram de valor nos últimos oito anos; passando de USD 448.9 milhões em 1996 para USD 649.5 milhões em 2000 até USD 1.01 bilhão em 2004.

Quinta-feira, Março 15, 2007

Pré-Eleições dos EUA.

O povo brasileiro aparenta estar preocupado com a visita do presidente dos EUA ao Brasil, quando na verdade deveria olhar a eleição interna dos dois principais partidos políticos dos yankees. Os jornais brasileiros se limitam a informar sobre os candidatos mais populares na opinião pública e deixa o povo sem perceber quais são os pontos mais importantes do debate político nos estados unidos. Desta forma fica impossível para os brasileiros conhecerem a realidade desse país, assim como opinar sobre a agenda política dele.
No Partido Democrata temos alguns candidatos bem interessantes como o senador John Edwards de Iowa que foca sua campanha nas questões da saúde pública. De acordo com seu discurso os EUA gastam USD 2.000.000.000.000,00 em saúde pública por ano, o que é mais do que qualquer outro país industrializado no mundo, no entanto existem 47.000.000 de norte americanos que não possuem este benefício, além dos serviços de saúde privados estarem fora do alcance de boa parte da população como no caso dos fazendeiros. Juntamente com o discurso J. Edwards mantém um Centro sobre Pobreza, Trabalho e Oportunidade.
Outro candidato democrata é o congressista Dennis Kucinich de Cleveland considerado o mais progressista dentro do partido. Um dos seus pontos centrais da campanha vem do fato dele não aceitar doações de empresas e lobistas, também é defensor da saúde pública para todos. Antes mesmo do inicio de sua campanha ele já falava claramente sobre o fim da guerra no Iraque e um redirecionamento da política americana para a paz. Pelo discurso ele demonstra ser o candidato de maior oposição à situação atual do governo dos EUA.
A mais famosa candidata entre os democratas é a Hillary Clinton que já foi primeira dama dos EUA. Praticamente é a concorrente democrata com o maior espaço na mídia internacional, principalmente pelo fato de seu marido ter se envolvido com uma estagiária enquanto era presidente. O discurso dela é muito parecido com a do marido envolvendo mudanças na política no Iraque, mas com apoio as tropas, questões sobre energia, igualdade de pagamentos para mulheres e minorias étnicas e a saúde pública (tópico principal desta eleição). O destaque maior de sua campanha está na possibilidade de pela primeira vez uma mulher se tornar presidente dos EUA, visto a sua popularidade entre os eleitores.
O segundo candidato mais famoso dos democratas é o senador Barack Obama de Illinois que ganhou destaque por ser negro e maometano. Entre os democratas ele é o maior rival da Hillary na corrida pela vaga de presidenciável, todavia há quem acredite que em caso de vitória a ex-primeira dama será sua vice-presidente; contudo ninguém comenta se ele poderia ser vice dela. Seu discurso segue o padrão do Partido Democrata incluindo uma política de saída do Iraque. Apesar de todo o seu perfil de minoria étnica (negro, havaiano, filho de imigrante e muçulmano) seu destaque na comunidade norte americana é fantástico de modo que ele foi o primeiro afro-americano a presidir a “Harvard Law Review”.
O senador Joe Biden de Delaware é um democrata que discursa por mudanças necessárias nos EUA. Entre elas a retirada das tropas no Iraque, contudo seu objetivo é enviá-las para outros pontos de conflito no planeta. Além da questão do Iraque sua campanha abre o debate sobre o poder do congresso durante o tempo de guerra. Várias são suas críticas ao governo atual, todavia compartilha da visão do atual presidente sobre o uso da força na política internacional.
O governador democrata Bill Richardson do Novo México é considerado pela mídia como um sujeito simples, mas com um currículo fantástico. Antes de ele ser governador trabalhou como secretário de energia do Bill Clinton e foi diplomata na ONU, onde lutou pelos prisioneiros políticos do Iraque, Cuba e Coréia do Norte e contra a proliferação de armas nucleares nestes paises, já chegou a negociar cessar fogo com grupos do Sudão; sendo indicado quatro vezes ao Prêmio Nobel da Paz. Apesar de todo seu discurso e vida ligados às questões de negociação de conflitos, sua campanha na verdade apresenta um governo centrado no esforço para o desenvolvimento da educação, redução tributária, crescimento econômico, ampliação da saúde pública e investimentos em energia renovável. Embora assuntos como os imigrantes e a guerra no Iraque não fiquem de fora dos seus planos.
Entre os republicanos temos o governador Mitt Romney de Boston conhecido por seu desempenho no mundo dos negócios. Como todo homem do mercado, Romney faz sua campanha contra a alta tributação nos EUA e os gastos excessivos do governo. Seu discurso neoliberal é fundamentado em um dos seus livros favoritos; “The World is Flat” escrito pelo famoso teórico neoliberal Thomas Friedman. Ele é um dos poucos candidatos, se não o único, que tem um discurso sobre a América Latina, contudo isto se limita a questões econômicas como a imigração ilegal e criticas ao socialismo cubano e venezuelano.
Rudy Giuliani é um candidato republicano, ex-prefeito de Nova Iorque e homem de negócios, que apresenta um discurso mais informal frente aos eleitores, provavelmente buscando a solidariedade do cidadão norte americano comum. Ficou famoso seu discurso sobre a situação no Iraque em que ele crítica diretamente o estilo de trabalho dos políticos dos EUA. Segundo Rudy não interessa pontos a favor ou contra a questão do Iraque, pois numa democracia sempre haverá posições contra e a favor de qualquer coisa, logo o importante é tomar uma decisão rápida. Ele se diz surpreendido pelo fato dos políticos norte americanos demorarem tanto para tomar uma decisão, já que no mundo dos negócios dos EUA um grupo que leve mais de duas semanas para decidir algo é considerado improdutivo. Para ele políticos são pagos para tomar decisões e não para fazerem comentários como jornalistas. Como podemos observar o foco de sua campanha é sobre a forma de governar fazendo com que ele se diferencie bem dos outros candidatos.
O senador John McCain é um dos candidatos republicanos mais reacionários, com seu perfil militar discursa sobre pontos como fé, coragem e honra. Ele é praticamente o único candidato que ao invés de utilizar as cores nacionais dos EUA usa cores típicas de navios e aviões de guerra. Não bastando sua propaganda na televisão inclui uma música militarizada ao fundo num discurso parecido com o do general Patton enquanto apresentam fotos suas nas forças armadas. Sendo fã do ex-presidente Ronald Reagan tem como slogan “A nation of Courage” e gosta de terminar seus discursos dizendo que: “somos americanos e nunca iremos desistir”.
O último a entrar na corrida eleitoral foi congressista republicano Ron Paul do Texas que possui um discurso de oposição interna no Partido Republicano. Ele votou contra a guerra no Iraque e o Ato patriótico e deixa claro que é a favor de uma rápida saída dos EUA deste conflito. Suas propostas seguem suas práticas como legislador, de modo que acredita que todas as decisões do governo devem respeitar a Constituição Federal e nunca se deve fazer abusos ou desvios no orçamento da união. Famoso por nunca ter votado a favor do aumento de tributos, ele também é contra e regulação da internet e a restrição do porte de armas. Soma se a isto tudo o fato de que ele se nega a participar do lucrativo programa de pensão do congresso e todo ano devolve ao tesouro da união parte do dinheiro que foi enviado ao seu gabinete, mas que não foi utilizado.

Quinta-feira, Março 08, 2007

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).


Provavelmente todos já ouviram falar do PAC em função da ênfase que os jornais andam provendo ao assunto. Todavia boa parte da população não sabe do que se trata, visto que é somente explicitado quem é contra ou a favor desta política ao invés de se debater o que é isto e quais são suas implicações para a sociedade.

O PAC é uma política econômica elaborada para o segundo mandato do Presidente Lula. O programa é baseado numa catalisação do crescimento econômico via investimentos públicos em setores chaves da infra-estrutura (que estão defasados ou até foram abandonados nos últimos mandatos), melhoria do ambiente dos investimentos privados, medidas fiscais de longo prazo e aperfeiçoamento do sistema tributário junto ao estímulo do crédito e do financiamento. Para alguns especialistas isto é muito positivo, pois sem planejamento e iniciativa estatal nesta área não há como conseguir um crescimento econômico de longo prazo.

O governo espera que nos três últimos anos do mandato do Presidente Lula consiga-se conter o crescimento dos gastos federais entre 3% e 3,5%, e que o PIB cresça 4,5% em 2008 e acima de 5% nos dois últimos anos do mandato.

A oposição a este programa político alega que o governo mantém a idéia de que o desenvolvimento precisa ser feito pelo Estado; com base nos incentivos fiscais, sendo esta concepção uma idéia antiga que não alcança as verdadeiras causas do baixo crescimento. Para eles o verdadeiro problema é a alta carga tributária que sufoca as empresas. O PAC até diminui alguns tributos, mas só parcialmente e para alguns setores.

Conforme um documento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o PAC não conseguirá atingir seus objetivos sem que se façam reformas estruturais, sem a redução dos gastos públicos e sem a implementação do marco regulador dos setores vistos como estratégicos.

Para a população, o efeito do PAC já começa a ser percebido com a redução dos preços dos computadores. Com isto o governo pretende aumentar o consumo por computadores no Brasil e ao mesmo tempo diminuir o número de computadores comercializados ilegalmente.

Seja como for o PAC necessita de uma boa direção técnica e política firme e bem organizada. Já que negocia com diversas áreas complexas e independentes do setor público e privado.

Segunda-feira, Janeiro 22, 2007

O uso do celular.


Conforme uma pesquisa recente do IBOPE há uma maioria de pessoas educadas no país face ao uso dos celulares em locais públicos. Tal pesquisa mostrou que 64% dos entrevistados desligam seus telefones no cinema, 61% desligam no teatro, 60% na igreja e 58% nas reuniões de trabalho. Todavia quando se trata da escola somente 46% desligam o celular. Enquanto que em atividades sociais como noitadas e reuniões com amigos a maior parte mantém o celular ligado (67%). Já em casa 65% dos entrevistados disseram dormir com o celular ligado normalmente e 85% mantém o telefone ligado mesmo durante o banho.

Ainda que possuindo aparelhos fixos, 94% das pessoas pesquisadas, 40% utilizam mais os celulares, contudo 22% usam os dois tipos de aparelhos igualmente e 39% continuam usando mais o telefone fixo. Destes usuários de celular um grupo com 67% disse se comunicar por voz, enquanto que 29% usam tanto a voz como texto para a comunicação e somente 4% só recorre ao texto.

Segundo a pesquisa os entrevistados costumam trocar de celular em média a cada um ano e sete meses, assim realizando um gasto médio de R$ 558,00 na compra do novo equipamento. Ressalta se o fato de que 91% apontou o celular como o item mais importante para ter sempre consigo.

Quarta-feira, Janeiro 10, 2007

Socialismo na América Latina.


Mais uma vez a América Latina se vê agitada por mudanças em seu cenário político. Enquanto a direita estava ansiosa pelo fim do socialismo latino americano com a possibilidade do fim do governo de Fidel Castro em Cuba, a Venezuela caminhou para a estatização das empresas numa tendência indicada como socialista pela mídia. Apesar de que é muito complicado determinar o que é um socialismo real, hoje em dia, visto que os discursos dos governantes latinos americanos sobre socialismo na maioria das vezes não passam de um nacional desenvolvimentismo e/ou populismo disfarçados. A estatização em si não significa uma transformação da sociedade em socialista. Boa parte das ditaduras de direita tendem a tornar estatal setores que consideram estratégicos do ponto de vista econômico e militar; o Brasil mesmo já passou por esta experiência. O que se espera de um governo realmente socialista é a popularização da educação, saúde, habitação e dos direitos. A estatização é somente uma parte de um projeto social muito maior no ideal socialista. Não sendo isto suficiente para determinar que este ou aquele estado (ou governo) é ou não socialista.

Terça-feira, Janeiro 09, 2007

Novos e Antigos Direitos.


A execução de Saddam representou dois pontos importantes para a sociedade.

Primeiro a relativização dos direitos quer sejam direitos internacionais, humanos ou de qualquer outro tipo. O fato de um país ser democrático e outro uma ditadura não quer dizer que o primeiro será mais justo que o ultimo.

Segundo é o acontecimento da mídia ter alcançado uma dimensão que extrapola a capacidade de controle dos estados. A disposição do filme da execução de Saddam na internet de forma aberta para todos; independente de idade, classe, nacionalidade, religião, gênero e outros fatores, provavelmente deixou vários estadistas de cabelo em pé.

IN AMBIGUIS REBUS HUMANIOREM SENTENTIAM SEQUI OPORTET.“Nos casos duvidosos, procure-se adotar uma decisão mais humana.” (Ulpiano, Dig. 34, 5, 10, 1).

Segunda-feira, Janeiro 01, 2007

Reporters Without Borders

At least 81 journalists were killed in 2006 in 21 countries while doing their job or for expressing their opinion, the highest annual toll since 1994, when 103 died (half of them in the Rwanda genocide, about 20 in the Algerian civil war and a dozen in former Yugoslavia). 32 media assistants (fixers, drivers, translators, technicians, security staff) were also killed 2006 (only five in 2005).

Quinta-feira, Dezembro 14, 2006

Tarô da Economia Política de 2007.


Provavelmente o dólar continuará caindo mundialmente no ano de 2007 enquanto a taxa de juros e a inflação dos Estados Unidos da América poderão aumentar; mas não o suficiente para causar algum problema. Isto fará com que os investidores norte americanos procurem por opções fora do país de maneira que consigam melhores retornos.

Na América Latina a situação cambial deve ser similar à deste último ano, visto que para os estrangeiros as economias latino-americanas estão praticamente mortas. Uma vez que os fabricantes dos países deste continente não conseguem competir com os produtos chineses no mercado. E mesmo que acontecesse uma mudança radical no câmbio chinês de modo que o dólar desvalorizasse entorno de 30% face à moeda chinesa os produtos deste país ainda continuariam super competitivos no mercado mundial. Ao que parece o controle da inflação, melhoria dos salários e a criação de instituições financeiras fortes não foram suficientes para a economia latino-americana. A continuação da queda do dólar afetará principalmente o México devido a sua forte ligação com os Estados Unidos. O discurso estrangeiro para a América Latina continuará sendo o da necessidade de reformas.

Todavia não devemos esquecer que surpresas no Oriente Médio podem afetar radicalmente a conjuntura.

O euro deverá continuar subindo tanto em face do dólar, que se encontra numa situação de queda, quanto em face das outras moedas. Isto se deve em boa parte pelo aumento da procura do euro pela população dos países do ultimo alargamento como também daqueles que num futuro próximo possivelmente entrarão para a União Européia. Apesar destes Estados não adotarem a união monetária, no momento da entrada na integração regional, a sociedade automaticamente começa a se interessar pela futura moeda, assim como os investimentos em euro começam a chegar mais rapidamente. O uso frenético do euro fora da sua região faz com que seu valor suba. Soma se a isto outras questões como a boa situação das empresas espanholas que ultimamente têm apresentado uma elevada habilidade em aumentar o lucro; com uma geopolítica que busca bons investimentos na América Latina (o que andou dando excelente retornos financeiros) e na Ásia. Esta é uma política muito interessante já que a Espanha é considerada dentro da Europa um lugar de elevada tributação e fortes leis trabalhistas.

A China Comunista continuará sendo alvo das atenções no mercado mundial. Talvez o objetivo deles seja provar a inferioridade do capitalismo.

Segunda-feira, Dezembro 11, 2006

Árvore de Natal.


Não bastando Lisboa (Portugal) e Varsóvia (Polônia) possuírem uma cópia do modelo da Árvore de Natal da Lagoa Rodrigo de Freitas, agora Niterói também fez uma na Ilha da Boa Viagem. A criatividade dos governantes é impressionante! Isto lembra a política daquelas cidadezinhas do interior de Minas Gerais que fizeram uma imitação do Cristo Redentor.

Vou pedir para o responsável pela subprefeitura do meu bairro um Arco do Triunfo na minha rua. Quem sabe a administração pública não simpatiza com a idéia? Só não solicito uma Estátua da Liberdade porque já tem uma no Rio de Janeiro.

Sábado, Novembro 25, 2006

Em saio do blog ( ! )

Assentamento
Chico Buarque / 1997

Zanza daqui
Zanza pra acolá
Fim de feira, periferia afora
A cidade não mora mais em mim
Francisco, Serafim
Vamos embora

Ver o capim
Ver o baobá
Vamos ver a campina quando flora
A piracema, rios contravim
Binho, Bel, Bia, Quim
Vamos embora

Quando eu morrer
Cansado de guerra
Morro de bem
Com a minha terra:
Cana, caqui
Inhame, abóbora
Onde só vento se semeava outrora
Amplidão, nação, sertão sem fim
Ó Manuel, Miguilim
Vamos embora